lunedì 24 aprile 2017



Continuei pintando e combinei com
 Franco Terranova - Petite Galerie - uma grande exposição para 73.



Chegou 1973, ano fatal para Chile.
Para o grande homem Salvador Allende.
 Soube que o tinham "suicidado ". Lágrimas de raiva de tristeza por este homem que tive a honra de
conhecer na casa de uns amigos  os senhores Rubin de la Borbolla e Sol Arguedas -conversando em frente de um cafezinho...
 Agora resta recordar.
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déchirants cris
Sauvages
Nous atteignent
Nous heurtent telle une hémorragie
Portes fermées
Aux seules vraies fois
Liberté paix justice

domenica 23 aprile 2017

1970 - Pintura Mexicana, Casa de las Americas, L'Avana, Cuba.
E sabe que só devolveram um quadro à maior parte dos que participámos? Cada um tinha
mandado dois! Anos mais tarde, muito mais tarde também em Cuba ficaram com uns 20
desenhos meus, acho que dos melhores. Nunca ninguém soube como, aonde, quem...
1971 - Centro di Arte Moderna, Guadalajara.
Todos nós, do Salon Independiente, fomos convidados a pintar um mural, ou melhor dito
um quadro grande, seria um acontecimento efémero! Tenho vertigem a um metro do chão e
ali era muuuuuuuuuuito mais alto. Eu somente pude pintar com um companheiro perto de
mim.

1972 - Por razões tristes, fui ao Brasil e fiquei um ano... Meu pai necessitava de mim, minha mãe
tinha falecido...
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Mère?Père?
Etes-vous encore là
Sous cette terre
Meurtrie par toutes ces guerres
Attendez
J’arrive
Vais vous sauver vous caresser de mots vous murmurer
-Murmure-t-on aux morts?-
Ou crier pour qu’ils vous entendent…
M’entendez-vous?
Vous avez pris racines
Vos racines s’étendent
Vous avez su nous sauver
Nous nos semEnces et racines
Vous avez déjà pleins d’arrière petits enfants
La terre qui vous couvre
Vous l’avez rendue fertile
Merci.

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Dominique tem tres filhos e cinco netos...meus bisnetos
meus queridos - pai mae -  voces "semearam" belezas...

















1. Michael
2.Lea com Dominique
3.Moises

filhos do Mauro

4. Danielle
2. Itamar

filhos do Marco


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meu pai a ultima vez que o vi...







minha mae qdo chegou no Brasil.

venerdì 21 aprile 2017

1967
Amizades com pintores, amizades que continuam até hoje. Manuel Felguerez, Lilia Carrillo,
Ricardo Rocha, Adrian Mendieta, Nacho Lopez, Jorge Olvera… Não vou citar todos são
muitos! Muita gente que logo me aceitaram, já não como a mulher de Miguel (que foi muito
importante na história da arte no México), mas como pintora. E tem mais, quando em 65 fiz
o quadro vermelho e mais telas com linhas, vieram a minha casa Pedro Coronel, Raul Herrera
e todos me disseram: “Aonde vai com estas linhas!” O único que entendeu e gostou foi Felguerez.

Amigos sempre!







-----------Salão Independente 1968

Movimento artístico importantíssimo. Apoio aos movimentos estudantis contra o governo
de Diaz Ordaz. Olimpíadas e mortes. Não sei se você sabe da matança da Praça das Três
Culturas. Não, não sabe? Vou-te emprestar um livro que vai deixar você cheia de arrepios. É
algo que tem de se saber. Vi homens chorar, soube de muitas mulheres grávidas
atravessadas por baionetas de soldados enlouquecidos, soldados, quem sabe, drogados...
Soube de terríveis coisas feitas aos estudantes presos! Impossível esquecer... Ao mesmo
tempo Diaz Ordaz promoveu uma exposição, convidou todos os artistas a participar na
Exposição Solar (será exactamente este o nome? Já não sei). Então nós, “os bons”, política e
artisticamente, formámos este Salon de Los Independientes. Uma verdadeira revolução!
Formidável, fantástico, uma coisa com repercussão nacional e mundial. Anos depois se viu
o quanto éramos realmente os melhores. Durou três anos! Por todo Mexico comencando na cidade do Mexico indo depois a Guadalajara, Toluca e nao me lembro mais aonde....

Aqui abaixo estamos todos retratados...



antes de continuar a falar do meu andar pelas artes e vida :):)
vou copiar aqui umas linhas que Juan Acha, historiador 
e critico muito apreciado por nos todos por ser muito honesto
e imparcial, etc.- numa revista muito importante naquela epoca
PLURAL nao se ocupava somente de arte, era principalmente uma revista politica.


nao sei se ainda , anda por ai:):):):




PLURAL - fundada por Octavio Paz ainda existe! acabo de verificar




foto Juan Acha

giovedì 20 aprile 2017

Mas não estava convencida. Pintei ainda mais abstracto, ainda mais misterioso e gostei.
Coloquei os quadros na sala para que Miguel os visse no dia seguinte.
Grande erro!... Fui à sala e vi Miguel todo esquisito. Antes de lhe perguntar se tinha gostado,
ele pediu-me calma, calma por favor... E o que vi foi traumático. Uma agressão contra mim
própria. Todas as telas cortadas como se fossem de Fontana! O meu enteado, Micky, um
rapaz de 16 anos. Quase enlouqueci, voltar para o Rio? Mandar Micky para outro país?
Impossível era a adoração do pai. Solução: mar, praia, solidão...
Fui para Tecolutla. Pequena aldeia quase na praia.
Não sei o que me deu, mas andando a beira da água senti-me como em transe. Vi linhas e
mais linhas em todas direções. Formavam quadrados, linhas perpendiculares, nunca eram
paralelas. Agora acho engraçado... e até tenho que agradecer ao rapaz que me fez entrar no
que iria ser minha linguagem! Fui ao “pueblito”, comprei um caderno e fiz linhas e mais
linhas. Voltei ao México queria pintar sobre uma tela cor de areia. Não tínhamos dinheiro
para comprar a tela grande que eu precisava. Mas vi dois quadros pintados de acrílico
vermelho. Fiz uma costura entre ambos e fiz linhas com uns pasteis que tinha dado à minha
filha.
Nasceu o quadro chave! Chamei-o de “Ritmo Partido”.
...Miguel disse: “Agora sim gostei. Continua.” Continuei, sim mas sem ele.
Parece que tinha pressentido a morte dele pouco tempo depois... “Ritmo 1- Partida”...
1965 – 1966
Deixa ver… Acho que lá por 65 fiz uma pequena exposição das placas que tinham sobrado,
em Dallas. Não tenho certeza, acho que foi onde mataram ao Kennedy por aí… Não tenho
vontade de procurar as minhas coisas. Estão numa confusão! Só sei que gostei porque me
roubaram uma placa. Pagaram-me o prejuízo e aplaudo a pessoa que roubou: tinha bom
gosto!
1967
Amizades com pintores, amizades que continuam até hoje. Manuel Felguerez, Lilia Carrillo,
Ricardo Rocha, Adrian Mendieta, Nacho Lopez, Jorge Olvera… Não vou citar todos são
muitos! Muita gente que logo me aceitaram, já não como a mulher de Miguel (que foi muito
importante na história da arte no México), mas como pintora. E tem mais, quando em 65 fiz
o quadro vermelho e mais telas com linhas, vieram a minha casa Pedro Coronel, Raul Herrera
e todos me disseram: “Aonde vai com estas linhas!” O único que entendeu e gostou foi
Felguerez.

Manuel Felguerez  tem um Museu com seu nome e ele escolheu os artistas que iriam a fazer parte  deste- Indo a Veracruz escolher um  artista, so me escolheu a mim!!!!Um Triptico' 









casa no Mexico DF. 

luis Lopez Losa --- pintor que me ajudou 
a encontrar galerias ao chegar no Mexico

Manuel Felguerez - estes dois artistas
foram tambem meus primeiros amigos

mercoledì 19 aprile 2017

Naquela época fiz um quadro grande a óleo. Estava orgulhosa dele até que uma amiga me
disse: “Mas o que você fez?! Não pode por estas cores juntas!”. Ela tinha feito Belas Artes…
Respondi que ninguém me podia proibir de pintar o que queria. A resposta veio curta: “A
audácia dos ignorantes...” Hahahah! Adorei e continuei.
Liberté totale
Quelle merveille
Personne pour te gouverner
Te dire ce que tu dois faire ou ne point faire
Ce qui est permis ou pas permis
Alors je continue
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Fim de 1959. Circunstâncias, sentimentos, novidades… destino?
Fui para o México. Casei com Miguel. A Cidade do México, com aqueles incríveis indígenas
com suas roupas de cores. As mulheres com os seus “rebozos”… Senti que já não podia
pintar como no Brasil… Fiquei perdida no tempo. Sem saber o que pintar.
1960
Entrei num atelier de gravura, na Ciudadela, gravei, mas não gostava de imprimir, não queria
sujar a placa... Além do mais o torculo era muito pesado para mim. Conheci muitos artistas
que iriam ter muita importância na minha vida: Luiz Lopez, Losa, Billy Barclay… Uns bons
outros nem tanto... Um ambiente simpático. Conheci Fernando Vilchis e Leticia Tarrago.
Fernando, mais tarde, ajudou-me. Era um grande amigo.
Entretanto, comecei a usar metais diferentes. Comprei ácido nítrico, percloruro de ferro, e
ali nasceu o ”Objet d’Art en Soi"! Como? Ah se você soubesse… Quase me envenenei.
Coloquei uma placa no ácido nítrico puro e saí correndo do quarto. Um cheiro insuportável...
Esperei pouco, senão o ácido iria “comer” todo o metal. Entrei… Uma maravilha! Continuei.
Estava fascinada com o resultado. E foi assim que tive minha primeira exposição em 1963,
na galeria Juan Martin. A apresentação foi feita por Paul Westheim. Se bem me lembro, ali
vendi quase tudo! Isto não iria acontecer mais...
Você acha que o talento é considerado somente quando se vende muito? Que disparate…
Não, não vou discutir isto com você, desperdício de tempo... Hoje em dia o tal “marketing” é
mais importante e eu nada entendo e nunca entendi disso! E, mesmo assim, continuava e
continuo pintando.
Naqueles dias o que era importante para as pessoas era esperar a opinião dos críticos, para
ver se compravam algo ou não! Vendo bem, era igualmente "extraordinário!"
Com as minhas placas, comecei a entender e ver o abstracto. Nova época, papéis grandes,
frottis com dedos e tinta china, pintura a óleo sobre tela… até chegar a minha segunda
exposição, na Galeria Opic, em 1964.


primeira foto Feranando Vilchis
segunda placa de metal

martedì 18 aprile 2017

Em 1957, acho, um pintor veio ao Rio da parte de Tatin para ver o que eu estava pintando.
Ficou entusiasmado e escolheu umas pinturas, as primeiras. Eram sobre papel e destinavamse
a uma exposição na galeria Muller em Buenos Ayres onde ele vivia. Meu pai olhou feio...,
mas como eu não iria estar presente, tudo bem. Mas foi tudo mal. Nunca recuperei estas
pinturinhas. O pintor dizia que as tinha mandado e o responsável da galeria a mesma coisa.
Nunca chegaram. Uma experiência muito desagradável.
Pela mesma época fui aprender gravura com o mestre dos mestres de todos os gravadores
do Brasil. Oswaldo Goeldi. Que personagem que artista... Buril, ponta seca, água forte. Umas
técnicas mágicas que um dia me irão levar às placas de metal. Um dia Oswaldo diz-me: “Vai
para casa, trabalha sozinha. Desenhar tu não sabes, mas vais ser uma óptima gravadora”.
Não soube o que pensar nem o que quis dizer! Só muito mais tarde!..
.
Agora também já não sei… A minha cabeça não é um computador. Calma!

De 1957 a 1959 continuei pintando... Mas que surpresa. Um dia Mário Pedrosa, conhece,
certo? Ah, não sabe quem é? Era (sim, infelizmente era) uma personagem. Foi o único que
saiu para o Chile na época da ditadura. Grande historiador de arte, critico honestíssimo,
Ele não sabia que eu pintava mas sabia que falava várias línguas. E precisava de mim para
receber uma série de artistas, arquitectos e historiadores que vinham convidados pelo
governo à inauguração de Brasília. Não imaginei naquele momento que a minha vida iria
mudar. Foi incrível conheci muita pessoas, que depois soube que eram importantes, como
Bruno Zevi, arquitecto italiano, Jacques Lassaigne editor de livros de arte, Michele Muraro,
curador do Museo do UFIZZI, em Florença, Kessler, escultor, Meyer Shapiro,
importantíssimo escritor. E ali Mário Pedrosa ficou amigo! Esqueci, uma coisa simpática,
dancei com Alexander Caldwell, gordo, bêbado, mas que bem dançava...








museo Salvador Allende

foto 1 - Mario Pedrosa
foto 2- Oswaldo Goeldi
foto 3 - Ritmo Rojo versao 3

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Não havia entendido porque queriam esta entrevista. Acho que já é o momento de
esclarecer algo absurdo. Não era uma entrevista que queriam, mas que diante das minhas
pinturas fizesse um comentário, algo sentimental ou quem sabe o quê!... Pareceu-me
completamente estranho. Não é o artista que tem de expressar isso. É aquele que vê e
apenas se vir ou sentir algo. O artista acredita… e isso basta. Acho que o que vale é o que fiz.
O resto, o tempo dirá.